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PALMADAS ENSINA O QUÊ?
Por:Pr.Neudelon Azevedo
Extraido do Site Click Família
Esta pergunta tem sido feita por psicólogos, educadores e principalmente por pais desesperados por uma forma eficaz de educação dos filhos. Será que a palmada é um eficiente instrumento de educação e disciplina? Durante muito tempo vivi com este dilema, afinal como estudante da Bíblia encontrei diversas passagens ensinando o uso da vara para a disciplina da criança. Por outro lado encontrei educadores condenando o castigo físico e uma frase sempre martelou em minha mente: “Quem ensina batendo, ensina bater”.
O tempo foi passando, chegou minha primeira filha, que foi crescendo e eu precisava sair da teoria para a prática. No início adotei como regra, nos casos em que a conversa não estava resolvendo, dar no máximo duas palmadas no bumbum da criança e em outros momentos colocava de castigo em uma poltrona no quarto, no princípio ela não queria ficar, saia, mas levando em consideração que eu sou maior e mais forte do que ela colocava-a no lugar de novo até que desistisse de sair. Era duro agüentar o choro e as perguntas sobre quando poderia sair, a vontade nesta hora era de dar mais umas palmadas e mandá-la sair do castigo, pois aquele choro já estava virando uma tortura para mim.
A verdade é que educar dá trabalho. Já li diversos livros cristãos dizendo que nunca se deve usar a mão para bater em uma criança, pois a mão deveria ser reservada apenas para dar carinho, mas me parecia estranho o fato de precisar de um instrumento para provocar dor física em minha filha, e ainda seja o que for que usasse seria através da minha mão que no fim seria mesma coisa. Penso que se alguns pais ao disciplinar seus filhos usassem unicamente a mão, sentiriam um pouco de dor e seriam mais brandos, afinal uns tapinhas no bumbum não matam ninguém, mesmo quando a criança chora como se estivesse morrendo, mas o que acontece algumas vezes, inclusive usando argumentos bíblicos, são verdadeiros espancamentos, quando o pai/mãe não está tão preocupado em disciplinar, mas de jogar na criança toda a sua raiva e frustração.
Os meus questionamentos aumentaram após dois eventos novos e importantes em nossa família, nasceu o Pedro e um ano depois a Amanda, aos quatro anos, foi para a escola. Um dia a Amanda bateu no Pedro e eu repreendi explicando que o irmãozinho estava desobedecendo por não entender ainda o que deve ser feito e que ela era maior e mais forte, não podendo bater nele. Na hora “caiu a ficha”, não deveríamos ter a mesma consideração com ela sendo nós maiores e mais fortes? Não, realmente não, a situação é diferente! Mas tente explicar isso a uma criança de quatro anos!
Outro fato interessante foi quando minha esposa deu umas palmadas na Amanda, que depois ficou querendo que a mãe pedisse desculpas, por ter lhe dado àquelas palmadas. Kathia explicou mil vezes por que ela apanhou e que se não desobedecer não apanhará mais, mas não adiantou, ela não queria entender. Ficamos nos perguntando o porquê dela inventar esta história de merecer desculpas depois de ter apanhado. Concluímos que na escola, se um coleguinha bate em outro, provavelmente a professora deve estar ensinando regras de civilidade em que uma criança deve pedir desculpas após agredir outra.
Conclui que para fins pedagógicos o bater não seria um bom instrumento, salvo nos casos em que você precisa que a criança cesse um determinado comportamento imediatamente. Uma das teses da disciplina por punição é que a tendência do punido é obedecer apenas na presença do punidor.
Precisava ainda resolver a questão teológica, pois se a Bíblia fala que a vara é um excelente meio de disciplina e deve ser usado. Um dos diversos versículos que se referem à vara como instrumento de correção é Provérbios 13.24 “Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga”. Neste versículo encontramos a vara literalmente como instrumento de castigo.
Encontrei também uma passagem em Dt. 21.18-22 que orientava os pais que levassem o filho rebelde, que não obedecesse, até a presença dos anciãos para que fosse apedrejado até a morte. Se não obedecemos este texto literalmente, temos que obedecer aos que se referem à vara? A conclusão que cheguei é que em ambos os ensinos bíblicos, existem alguns princípios imutáveis, que se referem à responsabilidade dos pais quanto a educação e disciplina dos filhos e que estes devem empregar os melhores meios possíveis para educá-los.
No passado, quando valia a lei do mais forte e as conquistas eram obtidas pela força, se justificava ensinar usando castigos físicos e a pena de morte para os rebeldes costumeiros era compreensível, pois era um modelo bastante apropriado para ser usado na vida adulta. Nos tempos atuais, estratégias como diálogo e a negociação são mais úteis para obter sucesso em nossa sociedade.
Cabe aos pais ensinar na prática aos filhos como alcançar seus objetivos através destes instrumentos. Esta nova atitude não tira dos pais a necessidade de educar e quando necessário disciplinar os filhos, os meios é que deverão ser outros. Saem de cena as surras e entram a conversa e castigos como privações de bens não essenciais. Pois seria uma crueldade privar uma criança de uma necessidade essencial como roupa e alimento, mas não mata tirar o vídeo game, uma bicicleta ou um passeio como forma de mostrar que os nossos atos trazem conseqüências tanto positivas como negativas.
É bom lembrar que disciplina e castigo não podem ser os únicos meios de contatos entre os pais e filhos, pois a criança muitas vezes apronta uma arte apenas para ser notada, nem que seja através de um castigo. Pensando assim, quando seu filho aprontar algo que o tire do sério, experimente trocar o castigo físico por deixá-lo um sem brincar (recomenda-se que tenha um lugar específico para o castigo e o tempo geralmente recomendado é um minuto por idade da criança) ou tire dele por algum tempo um brinquedo que goste, sempre conversando e explicando a razã0 destas atitudes, no princípio não é fácil, ele não vai querer obedecer, mas se o pai for persistente e paciente, ai está a parte mais difícil, com o tempo ele vai se convencer que precisa obedecer para não ter conseqüências piores.
Sejamos sinceros, a maior parte das vezes que um pai dá uma palmada em uma criança fica com uma dorzinha de consciência, não pela palmada em si e a dor que provocou, que geralmente nem é tão grande assim, mas o sentido de culpa vem por saber que a palmada foi uma maneira que o pai usou para descarregar toda a sua irritação e tensão gerada pela desobediência da criança.
Em Efésios 6. 4 Paulo dá uma orientação aos pais “não provoqueis à ira vossos filhos” e uma responsabilidade “mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. Se lutarmos para colocar estas sábias palavras em prática será mais fácil a difícil arte de educar nossos filhos.
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O autor é Psicólogo Clínico Cognitivo Comportamental e Psicólogo Escolar do Colégio Batista de Governador Valadares/MG. Especialista em Psicopedagogia. Pastor da Igreja Batista Nova Jerusalém em Governador Valadares/MG.
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