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UM BOM EXEMPLO, MAS AINDA É POUCO

Por:Pr.Gilson Bifano

Extraido do Site Click Família




“Depois de reunir 1,2 milhão de pessoas no maior show da história dos Rolling Stones e de tentar, em vão, aproveitar a noite carioca, Mick Jagger encarnou o papel do pai responsável.
Ao desembarcar em São Paulo, ontem à tarde, o astro do rock se dirigiu à escola do filho, onde acontecia uma reunião de pais. Lucas, filho do cantor com a apresentadora Luciana Gimenez, estuda no colégio bilingüe Saint Paul, nos Jardins, bairro nobre paulista. A visita-relâmpago provocou alvoroço entre alunos, pais e professores”, assim noticiou um jornal carioca a respeito da visita de Mick Jagger à escola onde seu filho estuda, dois dias após o mega-show acontecido no Rio de Janeiro em fevereiro.

Um bom exemplo? Claro que sim. Mas é ainda muito pouco.

Com certeza a visita de seu pai à sua escola vai ficar para sempre na memória de Lucas, mas o mesmo Lucas não terá nas suas lembranças de menino o seu pai o acompanhando a um dos estádios da capital paulista para torcerem juntos para o São Paulo ou quem sabe para o “porco”, como os paulistanos tratam o Palmeiras ou ainda para o Corinthians, de Tevez.

Lucas não terá no seu baú de recordações um passeio feito com seu pai num dos grandes e modernos shopping de São Paulo ou talvez um passeio que poderia fazer com o papai Jagger no Mercado Municipal ou ainda quem sabe uma pescaria no litoral paulista.

Aí o leitor poderia fazer a seguinte colocação: mesmo Mick Jagger morando em São Paulo não teria condições, devido à fama, passear com seu filho Lucas como um simples mortal. É verdade. Ser famoso tem um preço que acho que nunca gostaria de pagar. É muito bom ir com minha filha Susanne ao Maracanã vermos o nosso glorioso Botafogo jogar e não sermos notados por ninguém.

Mas Jagger, mesmo famoso, poderia aproveitar seu dinheiro e passear com seu filho numa dessas ilhas paradisíacas que só vemos em fotografias. Talvez, por desconhecer detalhes do relacionamento dele com Lucas, tenham essas recordações, e o parabenizo por isso, mas apenas estou usando a notícia para abordar a importância dos pais terem esses momentos preciosos com seus filhos.

No filme "Ray", onde conta a vida do cantor Ray Charles, uma cena tocante é quando Ray chega em casa, depois de longa ausência, a esposa sai ao seu encontro, mas o filho mais velho, então com 9 ou 10 anos de idade, corre até ele, chega antes da mãe e cheio de alegria diz: “Estou na seleção de baseball da escola. Vai ter jogo no domingo e eu gostaria que você fosse.” E Charles responde: “Não posso filho. Mas fala para o pessoal lá que eu posso dar um uniforme novo para o time”. O menino não queria desesperadamente que o pai desse o uniforme do time, mas um pouco do seu tempo, de sua presença, da sua torcida.

Tempo. Esse é o grande presente que podemos dar aos nossos filhos. Tempo para participar da reunião de pais da escola. Por que só na reunião de pais só temos mães? Tempo para levar o filho ao médico. Tempo para jogar bola, saltar pipa, nadar, pescar, contar história (principalmente da Bíblia) e tantas outras atividades.

Um dia eles crescerão e aí poderá ser muito tarde, caso estejamos negligenciando esse aspecto, para construir essas boas e deliciosas lembranças que pais e filhos precisam ter.

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